O Bicho conta as histórias que estão na mala, malote, malinha, da dona pata e dona galinha.
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23.3.11
O PRÍNCIPE COM ORELHAS DE BURRO
Com o subtítulo História para Crianças Grandes. Introdução de Eugênio Lisboa.
Na apresentação, o escritor e crítico literário Adolfo Casais Monteiro escreve:
«O PRÍNCIPE COM ORELHAS DE BURRO não pode ser considerado em paralelo com qualquer outra obra do nosso tempo, em Portugal [...], é uma obra destinada a ficar como uma grande data da nossa literatura. José Régio encheu o seu livro de quadros e retratos em que se revela toda a sua lucidez de moralista, e também toda a força da sua criação poética; quadros e retratos em que os mais diversos tipos de humanidade perpassam, mas que são sobretudos magníficos como sátira e como crítica de costumes. Régio pretendeu dar-nos um microcosmos em que cada paixão, cada tipo humano, tivesse a sua representação.»
Com desenhos (reprodução) de Júlio, da 2.ª edição de 1946.
A Imprensa Nacional editou em 2001 as obras completas de José Régio.A imagem da capa é da 10º edição da obra.
Sobre este livro e José Régio, a autora do blog O Falcão de Jade escreveu um texto que é uma preciosidade. Recomendo a sua leitura - aqui.
Até ao final do mês a Imprensa Nacional - Casa da Moeda (Porto) está a fazer (nesta e noutras obras) 20% de desconto.
4.3.11
CIRCO
No circo cheio de luz
Há tanto que ver!...
"Senhores!"
-Grita o palhaço da entrada,
Todo listrado de cores-
"Entrai, que não custa nada!
À saída é que se paga..."
..................................
O palhaço entrou em cena,
Ri, cabriola, rebola,
Pega fogo á multidão.
Ri, palhaço!
Corpo de borracha e aço
Rebola como uma bola,
Tem dentro não sei que mola
Que pincha, emperra, uiva, guincha,
Zune, faz rir!
.....................................
José Régio, As Encruzilhadas de Deus,(1935),
Um dos primeiros e mais raros livros de José Régio.
Com desenhos de Júlio, irmão de Régio.
17.2.11
Onomatopeia
Violinista azul 1947 Chagall
Menino franzino,
quase pequenino,
pequenino, triste,
neste mundo só…
Menino, desiste
De que tenham dó!
Desiste, menino,
Que o mundo é cretino…
Deixa o teu violino,
Toca o sol-e-dó.
Cada teu suspiro
Cai ao chão no pó…
Canta o tiro-liro
Tiro-liro-ló.
Deixa o teu violino,
Que não te é destino.
Desiste, menino,
De que tenham dó!
Menino franzino,
Triste e pequenino,
Pequenino e triste,
Neste mundo só…
Menino, desiste!
Toca o sol-e-dó.
Canta o tiro-liro, repipiro-piro,
Canta o repipiro, tiro-liro-ló.
José Régio
Menino franzino,
quase pequenino,
pequenino, triste,
neste mundo só…
Menino, desiste
De que tenham dó!
Desiste, menino,
Que o mundo é cretino…
Deixa o teu violino,
Toca o sol-e-dó.
Cada teu suspiro
Cai ao chão no pó…
Canta o tiro-liro
Tiro-liro-ló.
Deixa o teu violino,
Que não te é destino.
Desiste, menino,
De que tenham dó!
Menino franzino,
Triste e pequenino,
Pequenino e triste,
Neste mundo só…
Menino, desiste!
Toca o sol-e-dó.
Canta o tiro-liro, repipiro-piro,
Canta o repipiro, tiro-liro-ló.
José Régio
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